domingo, 15 de janeiro de 2012

Vivências em avaliação fisioterapêutica neurológica em indivíduos com diagnóstico de Esclerose Múltipla: Relato de Experiência

Introdução

A Esclerose Múltipla (EM) caracteriza-se por ser uma doença desmielinizante do sistema nervoso central, resultando em sinais e sintomas neurológicos que poderão deixar sequelas, conforme a localização da lesão¹.
É uma doença progressiva a qual leva à falência dos músculos motores e respiratórios, consequentemente  diminuição da capacidade física e resistência cardio respiratória, fadiga, ansiedade e depressão. Essas alterações podem ocorrer em cerca de 50% dos acometidos².

Tipos de EM³: 
- Surto e Remissão: O indivíduo tem uma crise e não permanece com a sequela
- Progressiva secundária: Continuação com a primeira porém tem um período mais prolongado
- Progressiva primária: São as duas a cima, e com permanência das sequelas.

Epidemiologia:

O Brasil é considerado um país de baixa prevalência da EM, apresenta-se com distribuição unimodal entre os 20-40 anos de idade, com maior incidência no sexo feminino e na etnia branca (GRZESIUK A.K, 2006).

JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA

- Justifica-se este estudo por oportunizar vivências acerca da avaliação em indivíduos que apresentam essa patologia e suas respectivas disfunções, aumentando assim nossos conhecimentos e a identificação da necessidade da intervenção fisioterapêutica;
Facilitar a atuação fisioterapêutica na realidade acadêmica no que diz respeito a avaliação e intervenção desses indivíduos.

OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICO
Oportunizar vivências em avaliação fisioterapêutica neurológica em indivíduos com diagnóstico de Esclerose Múltipla a nível ambulatorial.
- Identificar os sintomas mais comuns encontrados pelos pacientes com diagnóstico de EM.
- Registrar o perfil dos pacientes que se respaldam ao ambulatório de neurologia do Hospital geral da região metropolitana de Fortaleza.
METODOLOGIA
- Foi realizado em um Hospital na região metropolitana de Fortaleza, no mês de novembro;
- Relato de experiência, observacional, descritivo e de caráter longitudinal;
- Respeitada resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde – Ministério da Saúde (CNS/MS). Os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo e garantido assim, sigilo acerca das informações obtidas e anonimato, sem acarretar qualquer risco ou prejuízo.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Quanto ao sexo: Foram encontrados 25 indivíduos, sendo 20 do sexo feminino e 5 do sexo masculino;
- A EM atinge mais  mulheres do que homens (na proporção de 3 por 1), é mais comum na raça branca e em países do Hemisfério Norte, onde o índice é de 100 doentes por 100.000 habitantes a cada ano (SUGIMOTO L., 2004)
- No Brasil, calcula-se que a prevalência da doença seja de 10 casos para cada 100 mil habitantes (ABEM, 2011).
Quanto aos sintomas comuns encontrados: Fadiga, parestesia, diminuição da força, déficit de equilíbrio e coordenação motora, urgência urinária e constipação.
No Brasil, foi realizado um estudo com 95 pacientes com EM, a fadiga foi observada em 87% dos pacientes quando avaliadas também as formas progressivas da doença (MENDES, 2007).
Um dos sintomas bastante observado na patologia em questão é a fadiga, distúrbio de marcha e déficit de equilíbrio, como conseqüência o risco de quedas é aumentado consideravelmente (BAGGIO et al., 2011)
- As manifestações clínicas são variadas com envolvimento dos movimentos, da marcha, visão e do funcionamento do aparelho urinário. Sintomas urinários ocorrem em até 90% dos portadores de EM (TRUZZI, 2010).

FISIOTERAPIA NA EM
ØAtua para minimizar as limitações imposta pela patologia, maximizando a capacidade funcional, qualidade de vida e prevenindo complicações debilitantes.
ØPromove melhor qualidade nos movimentos, incentivando aprendizado motores, manutenção da força muscular, coordenação motora, padrão da marcha e estabilidade postural.
ØA fisioterapia não atua diretamente no processo patológico, mas ao nível das limitações e incapacidades aumentando a independência do paciente.
ØA fisioterapia minimiza os sintomas da doença, mas não reverte o quadro já instalado, porém, mantém algumas funções, melhorando a qualidade de vida diária destes pacientes”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
             A  partir das vivencias no ambulatório de neurologia  foi percebido o quanto é necessário a atuação da fisioterapia nos indivíduos com diagnóstico de EM.
   O estudo colaborou com o melhor esclarecimento acerca da patologia e a importância da atuação multiprofissional  em um ambulatório de neurologia.

Autores:
ALVES, Dóriam Terpsícore Dantas¹
BASTOS, Andréa Rúbia Barroso²
MARQUES, Ana Karina M. Cunha³

REFERÊNCIAS
1 -FILIPPIN N.T RIBEIRO B.B PEREIRA L.S Relação entre fadiga e qualidade de vida em sujeitos com Esclerose Múltipla. Disponível em < http://www.unifra.br/eventos/forumfisio2011/Trabalhos/1110.pdf>  Acesso em: 25/11/2011.

2-O’SULLIVAN, S.B. Esclerose múltipla. In: ___; SCHMITZ, T.J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 4.ed. São Paulo: Manole, 2004. p. 715-745.

3 - RODRIGUES 
I.F., NIELSON M.B.P MARINHO A.R., Avaliação da fisioterapia sobre o equilíbrio e a qualidade de vida em pacientes com esclerose múltipla, Revista Neurociência, novembro, 2008.

4- GRZESIUK A.K., Características Clinicas e Epidemiológicas de 20 Pacientes Portadores de Esclerose Múltipla acompanhados em Cuiabá – Mato Grosso, Revista Neuropsiquiátrica, 2006.

5- SUGIMOTO L., Remédio em dose dupla contra esclerose múltipla, Jornal da Unicamp, 20 a 26 de setembro de 2004.
6- Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, Disponível em <http://www.apemsp.com.br/apem/conteudo.php?ct=10>  Acesso em: 25/11/2011.

7- MENDES M.F Fadiga na Esclerose Múltipla, Revista Neurociência, Tese de Doutoramento, UNIFESP 2007.

8- BAGGIO B. F., TELES R.A., RENOSTO A., ALVARENGA L., F. Perfil epidemiológico de indivíduos com Esclerose Múltipla de uma associação de referência, Revista Neurociência, 2011.
9- TRUZZI L.C. Bexiga hiperativa e Esclerose Múltipla: como melhorar a qualidade de vida, UNIFESP, Revista Saúde, setembro, 2010.

10- Manual Merck De saúde para a Família, capitulo 68, Esclerose múltipla e perturbações afins, Disponível em: http://xnightwitx.no.sapo.pt/em.htm, Acesso em: 23/10/11.

11 -CHAVES, L.J. Tratamento fisioterapêutico e monitoramento da evolução de pacientes com esclerose múltipla: relato de experiência. Disponível em: http://www.portaldafisioterapia.com/?pg=fisioterapia_neurofuncional&id=358 , Acesso em: 23/10/11.
12- PAES A.C.S, DUARTE M.S. Esclerose Múltipla: contribuições fisioterapeuticas: Uma revisão bibliográfica, 2010 
 





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